Ações tokenizadas devem liderar mercado digital até 2030
O mercado de ativos digitais deve passar por uma mudança relevante até 2030, com as ações tokenizadas assumindo a liderança sobre títulos públicos, imóveis e participações em empresas fechadas. A projeção foi apresentada pelo Citi Institute, em um relatório recente sobre o futuro da tokenização de ativos financeiros.
De acordo com o estudo, o mercado global de ativos tokenizados pode atingir US$ 5,5 trilhões até o fim da década, um salto expressivo frente aos cerca de US$ 20 bilhões registrados atualmente. Entretanto, apesar de os títulos públicos dos Estados Unidos e os ativos de renda fixa ainda concentrarem a maior parte desse mercado, o Citi avalia que o próximo ciclo de expansão será impulsionado pelas ações negociadas em bolsa.
Além disso, no cenário-base traçado pelo banco, as ações tokenizadas devem representar US$ 3,6 trilhões em 2030. Já os títulos públicos e outros instrumentos de renda fixa tokenizados alcançariam US$ 1,4 trilhão, enquanto os fundos imobiliários somariam US$ 200 bilhões. Os segmentos de private equity e crédito privado tokenizados, por sua vez, movimentariam aproximadamente US$ 100 bilhões cada.
Como a tokenização está transformando o mercado financeiro
A tokenização consiste em converter um ativo real ou financeiro em um registro digital. Nesse sentido, o token funciona como uma espécie de certificado digital que representa o bem original, permitindo sua divisão em frações menores e, consequentemente, tornando a negociação mais acessível, ágil e segura.
Além disso, os números mostram que esse mercado vem avançando rapidamente. De acordo com dados da plataforma RWA.xyz, referência global no monitoramento de ativos reais tokenizados (RWAs), o setor já movimenta cerca de US$ 32 bilhões em ativos tokenizados, desconsiderando as stablecoins, criptomoedas lastreadas em moedas fiduciárias que, atualmente, representam aproximadamente 90% desse segmento.
Atualmente, os títulos públicos dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, concentram cerca de 47% desse mercado, o equivalente a aproximadamente US$ 15 bilhões. Em contrapartida, as ações negociadas em bolsa ainda somam menos de US$ 2 bilhões, representando pouco mais de 6% do volume total. No entanto, as projeções do Citi indicam uma mudança significativa nesse cenário ao longo dos próximos anos. Segundo o banco, os instrumentos de renda fixa passariam a responder por cerca de 25% do mercado, enquanto as ações ultrapassariam a marca de 60% do montante total.
Nesse contexto, a estimativa do Citi encontra respaldo em movimentos recentes da indústria financeira. Afinal, grandes participantes do mercado já trabalham para ampliar a oferta de produtos tokenizados e acelerar a adoção dessa tecnologia.
Ações tokenizadas avançam nas principais bolsas do mundo
Nos Estados Unidos, o avanço das ações tokenizadas já começa a ganhar espaço entre as principais bolsas do país. Nesse sentido, a Bolsa de Nova York (NYSE) anunciou o desenvolvimento de uma plataforma baseada em blockchain para negociação de ações e ETFs tokenizados, com operação contínua, além de liquidação praticamente instantânea. Embora a iniciativa ainda dependa de aprovação regulatória, ela demonstra o crescente interesse das bolsas tradicionais em integrar ativos financeiros às redes blockchain.
Da mesma forma, a Nasdaq recebeu autorização da Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais americano, para permitir a negociação e liquidação de determinados ativos em formato tokenizado. Inicialmente, o modelo abrangerá ações que compõem o índice Russell 1000, além de ETFs vinculados a indicadores como S&P 500 e Nasdaq 100.
Segundo o Citi, a participação de instituições como NYSE, Nasdaq e DTCC, principal câmara de compensação dos Estados Unidos, marca uma nova fase para a tokenização de ativos. Afinal, o movimento deixa de ser impulsionado exclusivamente por empresas ligadas ao universo cripto e passa a contar com o envolvimento direto da infraestrutura financeira tradicional de Wall Street.
Enquanto isso, no Brasil, o tema também vem ganhando relevância. No fim de maio, a B3 promoveu o Tokenização Day, evento que reuniu reguladores, startups e representantes do mercado financeiro para debater aplicações práticas dessa tecnologia no mercado de capitais. Entre os principais assuntos discutidos estiveram os desafios relacionados à liquidação financeira, interoperabilidade entre sistemas e segurança jurídica, fatores considerados pelo Citi como essenciais para o crescimento do setor.
Outro avanço importante ocorreu com a saída da BEE4 do sandbox regulatório da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A plataforma, especializada na negociação de ações de pequenas e médias empresas por meio de tokens, passou a operar sob autorização definitiva do regulador. Com isso, consolidou uma das primeiras infraestruturas reguladas do país voltadas à tokenização de ativos.
O papel das moedas digitais na expansão da tokenização
De acordo com o relatório do Citi, a expansão das moedas digitais é um dos fatores que podem acelerar a adoção das ações tokenizadas e de outros ativos financeiros em redes blockchain. Nesse contexto, as stablecoins ganham destaque como peça fundamental para a evolução desse mercado.
Até pouco tempo atrás, uma das principais limitações da tokenização estava na etapa de liquidação das operações. Embora os ativos já pudessem ser representados digitalmente em blockchain, a conclusão financeira das transações ainda dependia da infraestrutura bancária tradicional. No entanto, com o crescimento das stablecoins e dos depósitos bancários tokenizados, essa barreira começa a ser gradualmente superada.
Além disso, o Citi projeta que o mercado global de stablecoins, especialmente aquelas lastreadas em dólar, alcance cerca de US$ 2 trilhões até 2030. Na prática, esses ativos funcionam como uma espécie de dinheiro digital, permitindo a compra e venda de ações, títulos e outros instrumentos financeiros diretamente em redes blockchain, com liquidação praticamente instantânea.
Ações tokenizadas devem avançar de forma gradual
Apesar das projeções positivas para o setor, o Citi não acredita que a tokenização substituirá bancos, corretoras, bolsas de valores ou outros intermediários financeiros já consolidados no mercado.
Em vez disso, o relatório aponta para um período de convivência entre a infraestrutura tradicional e as soluções baseadas em blockchain. Dessa forma, a modernização do sistema financeiro deve ocorrer de maneira progressiva ao longo dos próximos anos. Não por acaso, o próprio banco define esse movimento como uma evolução, e não uma revolução.
Além disso, na avaliação da instituição, o sucesso da tokenização estará menos relacionado à tecnologia em si e mais à capacidade do mercado de conectar diferentes plataformas, harmonizar exigências regulatórias e integrar os novos modelos às estruturas financeiras já existentes.
Quer explorar as oportunidades da tokenização?
Entre em contato com a Polyface.
"Muito bom dia capitalistas e capitalistos..."
Todos os dias, trazendo os fatos e comentários com muita irreverência, Mario Goulart, analista CNPI da Minha Gestora, comenta as notícias que mexem com o mercado. Inscreva-se e fique por dentro das novidades e fortalecer sua jornada.









