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BDRs: entenda os mitos e as verdades desse ativo

12 de junho de 2026
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Diversificar a carteira continua sendo uma das formas mais eficientes de reduzir riscos e aumentar as oportunidades de retorno no longo prazo. Nesse contexto, a diversificação geográfica ganha cada vez mais espaço entre os investidores brasileiros. Para isso, os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) surgem como uma alternativa prática para acessar empresas globais sem sair da bolsa brasileira.


Por meio desse ativo, o investidor pode obter exposição a companhias listadas em mercados internacionais, como Apple, Google, Microsoft, Nvidia, Amazon, XP e Nubank, negociando tudo diretamente pela B3. Além da praticidade operacional, os BDRs oferecem outra vantagem relevante: como o investimento ocorre no mercado brasileiro, o investidor não precisa fazer remessas de recursos para o exterior e, consequentemente, evita a cobrança de IOF sobre essa operação.


Entendendo a estrutura do investimento

No entanto, é importante entender que o BDR não representa a compra direta de uma ação estrangeira. Na prática, o investidor adquire um certificado que acompanha o desempenho dos papéis da empresa negociada fora do Brasil. Além disso, por se tratar de um ativo de renda variável, seu preço pode oscilar de acordo com as condições do mercado, o que exige atenção ao perfil e aos objetivos de cada investidor.


Ainda assim, muitas dúvidas cercam o funcionamento dos BDRs. Afinal, investir em empresas internacionais por meio da bolsa brasileira gera algumas interpretações equivocadas sobre riscos, tributação e características do produto. Por isso, reunimos os principais mitos e verdades sobre esse tipo de investimento para ajudar você a entender melhor como ele funciona.


Mito: BDRs são ações

Embora muitas pessoas tratem os dois ativos como equivalentes, o BDR não corresponde a uma ação negociada diretamente no exterior. Na realidade, ele representa um certificado vinculado a ações de empresas listadas em bolsas internacionais. Como esse recibo é negociado na B3, o investidor pode comprar e vender BDRs da mesma forma que opera ações brasileiras, utilizando sua corretora ou banco de investimentos.


Além disso, quem investe em BDRs costuma ter acesso a benefícios semelhantes aos dos acionistas da empresa de origem. Entre eles, destaca-se o recebimento de proventos, como dividendos, seguindo as regras aplicáveis a cada programa de BDR.


Uma forma simples de diversificar globalmente

Os BDRs não se limitam às ações de empresas estrangeiras. O mercado também oferece BDRs de ETFs, que permitem ao investidor acessar fundos negociados em bolsas internacionais diretamente pela B3. Dessa forma, é possível investir em mercados globais sem a necessidade de abrir conta fora do país ou realizar remessas internacionais.


Além disso, os BDRs de ETFs facilitam a diversificação, já que cada ETF reúne uma cesta de ativos em uma única aplicação. Atualmente, existem opções com exposição a diferentes regiões do mundo, como Estados Unidos, Europa, China, América Latina e Argentina. Da mesma forma, o investidor encontra alternativas focadas em setores específicos, como tecnologia, indústria e agronegócio, além de classes de ativos variadas, incluindo renda fixa, renda variável e até criptoativos.


Verdade: BDR pode superar a ação estrangeira

Muitos investidores se perguntam se faz sentido comprar um BDR quando existe a possibilidade de investir diretamente em ações negociadas no exterior. No entanto, em diversos casos, os BDRs oferecem vantagens que tornam o processo mais simples e acessível para quem deseja diversificar internacionalmente.


Uma das principais diferenças está na praticidade. Ao investir em BDRs, o investidor negocia os ativos diretamente pela B3, sem precisar abrir conta em uma corretora estrangeira ou realizar operações de envio de recursos para fora do país.


Além disso, como a compra ocorre no mercado brasileiro, não há necessidade de fazer remessas internacionais. Consequentemente, o investidor evita a cobrança de IOF sobre operações de câmbio, o que pode representar uma economia relevante dependendo do volume investido.


Outro ponto importante é que os BDRs acompanham os eventos corporativos das ações que representam. Assim, quando uma empresa estrangeira distribui dividendos aos seus acionistas, os investidores que possuem os respectivos BDRs também têm direito a receber esses proventos, observadas as regras aplicáveis a cada programa.


Mito: BDRs são apenas para grandes investidores

Muitas pessoas acreditam que investir em empresas internacionais exige um patrimônio elevado. No entanto, essa ideia não corresponde mais à realidade. Desde 2020, qualquer pessoa física pode investir em BDRs, o que ampliou significativamente o acesso dos brasileiros ao mercado global.


Com essa mudança, investir em companhias estrangeiras tornou-se mais simples e acessível. Atualmente, existem BDRs negociados por valores relativamente baixos, com valores próximos de R$50, permitindo que investidores iniciantes também incluam ativos internacionais na carteira. 


Mito: investir no exterior custa muito caro

Muitos investidores associam os investimentos internacionais a custos elevados e burocracias adicionais. Porém, no caso dos BDRs, a realidade costuma ser diferente. As taxas cobradas para negociar esses ativos seguem a mesma lógica aplicada às ações negociadas no mercado brasileiro, o que torna a operação mais acessível.


Além disso, os BDRs podem oferecer uma vantagem tributária em comparação com a compra direta de ações no exterior. Quem investe diretamente em mercados estrangeiros, por exemplo, geralmente paga IOF tanto no envio dos recursos para fora do país quanto no recebimento dos proventos. Já nos BDRs, a cobrança ocorre apenas quando há a conversão para reais dos dividendos distribuídos ao investidor.


Mito: BDR não tem regulamentação no Brasil

Como os BDRs representam ativos negociados em mercados internacionais, algumas pessoas acreditam que eles operam fora do alcance das regras brasileiras. No entanto, isso não acontece. Embora estejam vinculados a ações estrangeiras, os BDRs seguem normas específicas e contam com supervisão dentro do mercado nacional.


A regulamentação desses ativos estabelece regras para as instituições responsáveis pela emissão dos recibos e pela custódia dos papéis que servem de lastro aos BDRs. Além disso, a Lei nº 6.385 reconhece os BDRs como valores mobiliários, atribuindo a eles o mesmo enquadramento legal de outros investimentos amplamente conhecidos, como ações e debêntures. Dessa forma, os investidores contam com um ambiente regulado e alinhado às normas do mercado de capitais brasileiro.


Verdade: investimento sujeito às oscilações do mercado

Assim como acontece com as ações, os BDRs fazem parte da categoria de renda variável. Por isso, seus preços podem subir ou cair ao longo do tempo conforme as condições do mercado e o desempenho das empresas representadas pelos recibos.


Além dos fatores que afetam a companhia no exterior, os BDRs também sofrem influência das variações cambiais. Dessa forma, mudanças na cotação do dólar em relação ao real podem impactar o valor do investimento, mesmo quando a ação de referência apresenta pouca oscilação. Por esse motivo, é importante avaliar se esse tipo de ativo está alinhado ao seu perfil de risco e aos seus objetivos financeiros. 


Verdade: BDRs podem pagar dividendos

Os BDRs permitem que o investidor participe da distribuição de dividendos realizada pelas empresas que servem de lastro para esses recibos. Na prática, quando a companhia estrangeira paga proventos aos seus acionistas, os investidores que possuem os respectivos BDRs também podem receber esses valores. No entanto, a distribuição de dividendos varia de acordo com a política adotada por cada empresa.


Além disso, diferentemente do que ocorre no Brasil, muitas empresas estrangeiras não são obrigadas a distribuir parte dos lucros aos acionistas. Nos Estados Unidos, por exemplo, a legislação não exige esse pagamento. Por isso, quem busca gerar renda com dividendos deve analisar previamente a política de distribuição de proventos de cada companhia antes de investir em seus BDRs.


Mito: é um investimento dolarizado

Muitas pessoas associam os BDRs diretamente ao dólar, mas essa relação não é tão simples. Embora a cotação da moeda americana influencie boa parte desses ativos, não é correto afirmar que todo BDR seja necessariamente dolarizado. Isso porque o desempenho do recibo também depende do mercado em que a empresa de origem está listada e da moeda utilizada nesse país.


Ainda assim, como grande parte dos BDRs disponíveis na B3 representa empresas negociadas nas bolsas dos Estados Unidos, as oscilações do dólar costumam exercer influência relevante sobre seus preços. Por esse motivo, investidores frequentemente percebem uma relação entre a valorização da moeda americana e o comportamento desses ativos.


Além disso, é importante lembrar que os BDRs são negociados em reais na bolsa brasileira. Dessa forma, o resultado do investimento reflete tanto a variação das ações da empresa no exterior quanto às mudanças na taxa de câmbio. Em outras palavras, o retorno do investidor depende da combinação entre o desempenho do ativo de referência e os movimentos da moeda estrangeira.


Mito: o investidor pode perder seus BDRs se o banco emissor quebrar

Alguns investidores acreditam que os BDRs ficam sujeitos ao risco de crédito do banco responsável por sua emissão. Em outras palavras, imaginam que uma eventual falência da instituição poderia resultar na perda dos ativos. No entanto, essa interpretação não está correta.


Um dos motivos é que as ações utilizadas como lastro dos BDRs não integram o patrimônio do banco emissor. Na prática, essas ações permanecem custodiadas por instituições especializadas, enquanto o banco apenas administra o programa de recibos. Dessa forma, os ativos permanecem separados dos bens da instituição financeira.


Além disso, a regulamentação do mercado de capitais brasileiro estabelece mecanismos de proteção para os investidores. As regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) garantem que os BDRs continuem vinculados aos seus respectivos proprietários, mesmo em situações que envolvam dificuldades financeiras da instituição emissora. Por esse motivo, o investidor não perde automaticamente seus recibos caso o banco enfrente problemas. 


Mito: BDRs são isentos de Imposto de Renda

Embora os BDRs facilitem o acesso a investimentos internacionais, eles não estão livres de tributação. Por isso, quem investe nesse tipo de ativo precisa considerar as regras fiscais aplicáveis tanto no exterior quanto no Brasil.


No caso dos dividendos, muitos países realizam a cobrança de imposto diretamente na fonte antes que os valores cheguem ao investidor. Nos Estados Unidos, por exemplo, a alíquota sobre dividendos pagos a investidores estrangeiros costuma ser de 30%. Além disso, dependendo do programa de BDR, também pode ocorrer a cobrança de taxas relacionadas à instituição responsável pela custódia dos ativos que servem de lastro para os recibos.


Já no Brasil, os dividendos distribuídos por meio dos BDRs são tratados como rendimentos provenientes do exterior e podem estar sujeitos à tributação conforme as regras vigentes do Imposto de Renda.


A tributação também se aplica aos ganhos obtidos com a venda dos BDRs. Quando o investidor vende os recibos com lucro na bolsa brasileira, incide no Imposto de Renda sobre o ganho de capital. Além disso, a legislação permite compensar prejuízos registrados em outras operações de renda variável e considerar determinados custos operacionais, como corretagem, no cálculo do resultado tributável.


Conclusão

Os BDRs representam uma alternativa prática para quem deseja diversificar a carteira e acessar mercados internacionais sem sair da bolsa brasileira. No entanto, como qualquer investimento de renda variável, exigem conhecimento sobre riscos, tributação e funcionamento antes da tomada de decisão.


Se você busca orientação para construir uma estratégia de investimentos alinhada aos seus objetivos, entre em contato com a equipe da Polyface e converse com um especialista.

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